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  • Foto do escritorAna Lúcia Rafael

Amizade: hoje é possível?

Atualizado: 13 de dez. de 2022

“A verdadeira coragem está em ir atrás de seus sonhos, mesmo quando todos dizem que eles são impossíveis”. Cora Coralina


Segundo uma das enciclopédias online Wikipédia, a amizade é uma relação afetiva, a princípio, sem características romântico-sexuais, entre duas pessoas. Em sentido amplo, é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo e afeição, além de lealdade ao ponto do altruísmo. Neste aspecto, pode-se dizer que uma relação entre pais e filhos, irmãos, demais familiares, cônjuges ou namorados, pode ser também uma relação de amizade, embora não necessariamente.

Considero importante essa definição de amizade, pois muitas vezes nos surpreendemos quando esse relacionamento tão valioso nem sempre é encontrado dentro da própria família. Os amigos, para aqueles nascidos antes de 1990, na maioria das vezes, moravam no próprio bairro e frequentavam a mesma escola. E, no trabalho, a comunicação com amigos distantes era por meio de cartas ou cartões postais.

Atualmente é comum falarmos muito que tudo está diferente. Será? Mudou a definição de amor, amizade, afeto e companheirismo? Não concordo. O amor é um sentimento sublime, especial, gostoso, que flui no nosso coração e é infinito. Podemos amar inúmeras pessoas, pois o amor dilata o coração, tornando maior para sempre caber mais. Quando temos um filho e esperamos outro surgem as dúvidas: seremos capazes de amar mais um? Podemos ter mais de um amigo? Não precisamos economizar afeto ou achar que tem que ser único. A capacidade amorosa do ser humano é maravilhosa e imensa, assim é a amizade. O verdadeiro amigo é aquele capaz de nos aceitar, não julgar e compreender nossas atitudes e pensamentos, mesmo que não concorde.

Sempre gosto de destacar que temos amigos mais próximos em cada fase da vida. Existem aqueles que gostamos mais de conversar, de passear, viajar, os confidentes, outros são nosso apoio e, na atualidade, temos os amigos com quem teclamos e por que não? Junto com a globalização e todo o avanço tecnológico veio a possibilidade de nos relacionarmos com mais pessoas, através das redes sociais.

Muitas pessoas não se sentem sozinhas participando de grupos de apoio de acordo suas necessidades, gostos ou hobbies específicos. O sociólogo Bauman [2004] traz uma reflexão importante, que não podemos deixar de considerar, pois faz questionamentos, pontuando sobre os relacionamentos ‘líquidos’, ressaltando a importância de criarmos laços de afetividade, segurança e até cumplicidade, e reflete se isso é possível com as redes online. Para o autor, os relacionamentos virtuais geram muita instabilidade afetiva, porque facilmente as pessoas que nos desagradam ou decepcionam podem ser desconectadas. Mas também é preciso destacar que pesquisas mostram que muitos amigos online são os mesmos das redes físicas que estamos inseridos, porém, a forma de se comunicar foi ampliada. Os perigos com os ‘falsos’ amigos sempre existiram. Muitas vezes nos enganamos e isso acontece virtualmente ou não.

Observamos que existem relacionamentos superficiais que ocorrem virtualmente, no entanto não devem ser a regra. É fato que a geração dos nascidos após 1990 tem habilidade natural nas relações de amizade on-line. Contudo sou adepta à ideia de que nada substitui tomar um chocolate quente junto com os amigos, receber aquele abraço apertado, ser consolado e aplaudido de pé pela sua pequena ou grande vitória.

A amizade é um relacionamento muito importante e até mesmo sagrado, afinal, Jesus pediu aos seus discípulos que: “quero que sejam meus amigos!”. Mas não se esqueçam que amizades verdadeiras exigem das pessoas investimento de afeto, tempo, cuidado e amor.

Compreendendo que pequenas decepções, conflitos, divergências também estão presentes nas amizades, enfim, somos humanos. É preciso cuidar dos nossos amigos, entretanto, em nossa rotina conturbada nem sempre temos tempo de sermos gentis e isso é fundamental numa amizade. É comum pensarmos que os verdadeiros amigos nos apoiam na dificuldade ou doença. De fato, quando estamos fragilizados precisamos de muita solidariedade que pode vir de amigos, familiares e até mesmo conhecidos que estejam vivendo situação parecida. Amigos verdadeiros, se necessário, nos puxam a orelha, contudo vibram e torcem muito pelo nosso sucesso e alegria sem inveja ou maldade.

Outro fato é que antigamente as famílias eram muito maiores e nossa vida era cercada por nossos avós, primos, tios... Hoje, nem sempre moramos próximos e, muitas vezes, essa nova geração não convive com parentes da mesma idade. Sendo assim, são com os amigos que nossas crianças aprendem a se relacionar e é com eles que se preparam para a vida adulta para lidar com os desafios nela presentes.

É importante construir uma rede de amizades, num contexto onde a família tem se tornado cada vez menor, os amigos podem ser os que nos ajudarão a formar um grupo de laços afetivos, para que quando os filhos alçarem voo em busca de independência possamos ter companhia e uma rede de apoio. Aproveito aqui para agradecer a todos meus amigos que me acompanham ao longo da minha vida, sempre me apoiando, criticando e vibrando pelo meu bem-estar e sucesso. Vamos lembrar a Canção da América de Milton Nascimento: “Amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito...”. Minha sugestão: Celebre a amizade! Referências: Bauman Zygmunt – Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004. Wikipedia – Enciclopédia Livre disponível em: https://www.wikipedia.org. Acesso em 04/07/2017. Meu caminho/Edgar Morin; entrevistas com Djénane Kareh Tager: tradução Edgard de Assis Carvalho, Mariza Perassi Bosco.-Rio de Janeiro: Bertrand Brasil,2010


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